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Bruno Levhiatan Muscal Almada

domingo, 8 de dezembro de 2013

Laesio

Hoje acordei ferido.
Procurando por realidade.
Concentração à beira do abismo, tantas coisa para apagar, porém não lembro-me de nada.
Procuro pelo que sou e não encontro nada, uma hora tudo há de terminar.
Possuindo tudo isso, todo esse império de sujeira, parece desapontado.
Sentado ao redor de tantas pessoas bonitas e que apenas sabem mentir bem, com todos aqueles brinquedos e luzes bonitas, que você quebrou e não tem como consertar.
Acreditando em um tempo perdido, sentindo tudo desaparecer, você parece desesperado e apenas grita para saberem que ainda está aqui.
Você é uma outra pessoa, e o outro é alguém a quem nada restou.
No fim todos vão embora.
Desejo começar tudo de novo...
...Umas milhas distante...
...Manter-me com meu interior...
...Encontrar uma saída daqui.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Aporto

Confusões no principio.
O mundo parece mais frio agora.
A ideia era viver bem no inicio, com coisas coubessem nos bolsos, não vender a sanidade por moedas de prata.
Agora toda dor parece diferente, não é como quando roubam sua bicicleta.
Falência parece boa no limite de um poço profundo, já tentou escalar paredes lisas?
O descaso é o bastante, à portas fechadas um imenso vazio se abre, não há saída. A mente é uma prisão feita sob medida para você.
Quanta pressão acha que esses muros podem suportar? Não há nada além do horizonte a não ser mais água.
Doenças que não bastam, melhor procurar madeira para um caixão, tão exaustivo.
Nunca mais volte...
palavras não são o bastante...
Siga em frente...se jogue da beira...
Se deixe cair
Vá onde nenhum desavisado jamais foi.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Mentior

Aquelas coisas que nunca foram ditas.
Aquelas coisas jamais serão ditas.
Tantas coisas para dizer.
Nada mais é admirável.
Como um sol que não aquece.
Palavras insensatas, pensamentos imprecisos. Desperdício de um tempo precioso.
Nesse tempo sem sonhos nada é o que quer dizer.
Um instrumento que não toca, porém você escuta!
Um mundo acabado que não acaba, lugar que não é bom, com coisas que você não sabe do antes.
Sem grande ajuda, com as promessas de grandes saltos que não lhe soltam da gaiola.
Belas são as grades que garantem nossa liberdade; Mesmo com a boca aberta nada lhe quer dizer, o som não sai.
Nada para valorizar, jaz sem ícones...
...sem lugar para ser...
...sem lugar para mim...
...vida trajando morte.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Relógio

Sempre preocupado com o tempo.
Sempre preocupado com a caminhada.
Sempre preocupado com o compromisso.
Sempre preocupado em ser.
Sempre preocupado com o que é seu.
Com o que lhe prometeram, com quem você é, em não se atrasar.
Prazos demais em uma vida tão curta, compras demais em um carro tão pequeno.
Coisas normais, causas sem mais, obviedades comuns.
Tantos artigos resumidos a "uns". Quando no resumo não passam de zeros.
Olhando para o relógio a espera é sem fim, quando o relógio é preludio sim.
Sair correndo para cumprir o prazo e chegar cedo a lugar nenhum, os ponteiros vão dizer um dia que não há mais dias sobrando.
Um dia com tantas preocupações já não haverá com o que se preocupar.
Por tanto preocupe-se com duas coisas, preocupe-se com suas coisas, fez-se a ultima escolha, não se preocupe...
...depois do ultimo badalar, não tem haver e nem com o que se preocupar.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Terra Perdida




Todos estão em tempo, atrás da luz.
O deserto não parece tão desolador, o sol não arde como antes.
A luz desoladora trouxe mais uma vez o sol, o que parecia ser natural tornou-se só uma ameaça.
Tantos dias e tantos sonhos depois, o seu som tão comum voltou mais forte - terra perdida.
Todas mentiras se tornaram tão reais, não enxergo sua miserável presença.
O que mais há de se esperar, quando tudo já se foi?

Atravessando o céu por trás das nuvens - terra perdida
Com um simples toque, cortou uma rocha. Sem perceber sua força cortou novamente...

Por mais confuso que pareça foi só mais um dia, dia este que se prolongará por indeterminado tempo; O seu anseio mostrou que sempre esteve correto em permanecer na zona de conforto, quando se ultrapassa a linha da realidade o que parecia improvável tende a acontecer - aconteceu.

Procurar o que sobrou em meio a confusão é a melhor solução por hora.

Todos ainda estão em tempo e a luz vai escurecendo.
Todos ainda estão em tempo e a luz?
Todos estão em tempo.
Todos estão...
Todos.

Dois mundos diferentes nunca se encontrarão





                                                                                   Bruno Levhiatan - 22/11/13

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sinlose

Chuva noturna, você deseja um cigarro, guarda o troco sem conferir. Hoje algo está muito errado.
As rodas marcam o asfalto nas ruas, enquanto a você? está linda! linda como um acidente fatal.
Isso faz sentir vida, nada importante, só um monte de machucados; que tipo de vida é esta? desvio, buracos ao redor, luzes, manhã e chuva. Dai perceba à sua volta...a boca fala, porém nenhum ouvido houve, olhe através de si.
Tão Longe e ao mesmo tempo tão próximo, largo alcance como ondas de rádio, os demônios que você guardou e tudo o que sobrou; Só isso deveria bastar.
Nada há para dizer, se saltar irá cair e dos gritos apenas sussurros breves como brisas.
Na vazio da primavera...
...a voz de ninguém por perto...
...o barulho pôde ser ouvido...
...parecia uma explosão, um anjo que despencou...
...eramos eu batendo no chão.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

sui caedere

Nada como um pouco de conforto.
Um pouco de doçura para aliviar o desgosto salgado como o mar.
Falamos sobre tudo que achávamos que conhecíamos, foi apenas uma noite para celebrar, algo vago para lembrar.
Embriagado de vinho pela manhã ensinou formas sorrateiras de esconder; É como ver as falhas alheias, contar os segundos em um relógio ou se atrasar.
Me empreste seus pertences favoritos, torne meu dia difícil, me atenda bem. Atire enquanto eu estiver dormindo.
Só argumentos sobre a problemática da solitude, após tantos sinais, ligações...não foi possível pronunciar.
Isolamento...
Flor de sal, fique aqui...
...me conte sobre aquelas coisas que conhecia...
...e talvez leite possa eliminar toda essa peçonha. 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Insatisfeito


Um beijo de falsa liberdade.
A dor é como um premio.
Morte adquirida como doces no supermercado.
Não recordar nada, os olhos só mostram o inferno, inferno enfermo.
Falência segura angustiante, sem nome, sem direção.
A solução em uma 9mm...
Agora compreende que tudo vai incorrer em uma cadeia suicida?!
Diga o seu pútrido nome.
Mantenha a liberdade em clausura...ignorante; Um pedaço podre.
Uma face infeliz, acertado em um quadrado sujo.

Otimista agora, ludibriado depois...
...Satisfeito agora, escamoteado depois...
...Nada agora e nada depois.
Não vai dar para segurar o padecer depois,,,depois do derradeiro tinido.
Estupor.

De certo

Mais um dia se foi.
Nada o acompanha.
Ninguém acompanha.
Decerto não ha rastros.
De certo não deixa duvidas.
Na insólita luz do luar nada permanece.
Um periodo breve
Não da mais tempo, para ter tempo, Apenas um segundo de nada em volta.
Mãos se deixam, momentos não duram mais, amigos que vão...
...uma luz na manhã.
Queria apenas que ficasse aqui como o sol.
Mas você foi bem distante.
Distante além do que posso ver.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Oras Distante

Quando tudo é amar.
Quando tudo é juventude.
Quando tudo é ter tempo.
Quando tudo é saber a verdade.
Quando tudo importa.
Quando tudo é o caminho.
Não há mais o mesmo tempo sobrando.
Não há mais o mesmo brilho sobrando.
O que é passado?
De forma negativa negaciou o futuro no presente.
O que é tristeza quando não há alegria?
Lúgubre é a esperança na distancia.
Quando acaba o certo é incerto ou errado?
Nada se fez do tempo necessario, desde já nada estava certo.
O traçado parecia bom até o medo de quem parecia feliz tornar sinuoso o caminho...
Como continuar perto do caminho com o passado tão presente?
Bom seria o vácuo de uma dor que estivesse distante...
...ao soar emblemático de um sentimento tão obstante.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Morfina



A luz do sol ainda está lá...
A brisa fresca ao amanhecer ainda está lá...
O primeiro fôlego ainda se faz presente...
Aquele sorriso ainda está lá...
Aquele olhar que diz muito, ainda está lá...
A satisfação ainda está lá...
Sua presença em pensamento ainda está lá...
Meu pensamento ainda está lá...
Com esse céu limpo, ainda choverá...
A força de um abraço está lá...

Na morfina está minha endorfina...
O trago matinal permanece.
Mesmo com essa paz, ainda há a guerra...

Sinto a dor, sinto o prazer, sinto a satisfação...
Sinto o aroma, sinto os sintomas, sinto a ausência...

Ainda me pego pensando naquele tempo em que eras ativa, hoje vejo seu pior pesadelo prosseguir.
Ainda sinto o mesmo, o orgulho não se foi.

Não espere pelo paraíso;
Não espere por um milagre;
Não espere!

Se não tem sentido, se não tem motivo, não espero por nada...
Se não tem objetivo, se o final é sabido, basta viver.
A ausência das circunstâncias que nos trouxe aqui, a ausência de toda uma presença satisfatoria.

Se tudo foi por acaso, já não vem ao caso...
Se nada vale a pena, já cumpro essa pena.


                                                       (Bruno Levhiatan, 22/03/13)

terça-feira, 19 de março de 2013

Lídimo




Choro sem lágrimas
Um lado sem o outro
Vôo sem asas
Vida sem o dia e todo dia é escuro como a noite 

Sentir sem tocar
Tocar e não sentir
Tocar e sentir que nada e ninguém é lídimo...

Eu quero ver com outros olhos
Eu quero sentir esse medo
Eu queria que as verdades fossem mentiras
Eu sou um homem pela morte

Vida sem morte
Mundo sem um fim
Dormir sem sonhar
E todos chorarem ao perceber que;

Tudo em um nada
Mudar sem sair lugar
Ir tão longe, mesmo parado
Fugir sem ter para onde ir, apesar dos olhos assinalarem a direção...

Está intrínseco em mim, está dentro de muitos
Está saindo de mim, estão todos sucumbindo

Eu meramente queria ver de outra forma
Eu apenas queria ser um outro alguém
Eu queria que essas verdades fossem mentiras
Sou apenas um homem esperando pela morte

Veja dessa forma
Seja dessa forma
Essa mentira é uma verdade
É só a espera pela morte...


                                                           (Bruno Levhiatan, 19/03/13)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Úbere Vereda

    


       Na minha persuasão existem algumas hesitações, cercando poucas questões que se multiplicam em tons de cinza, voltaria a sua cor natural, caso a natureza fosse evidente... Se perdendo aos poucos em meio a lama que escoa por limpos córregos, se encontrando em rios de água doce - amargando minha percepção.
     Inquirir mais um pouco e acabei me perdendo mais ainda, recuei perante segredos que pareciam ser eternos, recuei mais um pouco e deixei a curiosidade caminhar pelo estreito labirinto que sempre rodeou e norteou sublimes lampejos de prudência.
     De volta, dei meia volta diante a loucura que permeou por um longo período - agora já "sóbrio" procuro o final do labirinto que parece não ter seu final tão axiomático... Já não sei onde estou nem de onde vim e muito menos para aonde deveria prosseguir, me perdi logo em um exórdio e deixei a intuição me guiar... -  Intuição? Talvez; 
     A capacidade de julgamento também se perdeu, se recolheu, logo será úbere. Caminhando mais um pouco, percebo o esplendor - talvez seja o fim desses corredores?  Sim, talvez encontre outros, logo mais adiante - O que é a vida senão a longa caminhada por labirintos de finitude tão distante; A entrada em caminhos tortos, que nos guiarão para uma eterna linha reta. 
     Transpor e escapar, sempre serão idiossincrasias comuns.  Conviver com a tênue linha da insanidade e lucidez, me deixará longe de sentimentos frívolos - Uma carência, uma afetividade, a demência dominante. A brilhante arquitetura de Dédalo.
    


                                               (Bruno Levhiatan, 15/03/13)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Tirocínio




Agora é o tempo!
Ainda há tempo!
Sem perca de tempo...
O tempo "voa"!

Agora é a hora.
Que horas são?
Só mais uma hora...
Aquela era a hora.

Em todo tempo do mundo, só nos resta o agora.
Depois de horas, sobrou pouco tempo.
Diante desse tempo, só nos resta contar as horas...
Agora está começando a hora de acabar com esse tempo.

Vejo o tempo correr perante meus olhos
Vejo as horas se alimentarem desse tempo
Percebo todo essa perca de tempo.

Quando perdemos tempo, excedemos algumas horas
Quando esperamos a hora certa, ela nunca aparece... atalaiar a hora marcada seria útil.

Afinal, esperar a hora certa é uma grande perca de tempo.







                                                                                        (Bruno Levhiatan, 14/03/13)

terça-feira, 12 de março de 2013

Bela Manhã

O verão está partindo e não me parece tudo bem. Pássaros de metal anunciam outra guerra.
Um estrago tão grande pra ser apenas isso.
Não há mais o brilho amistoso, apenas um egoismo absurdo; E tudo o que realmente sinto...
... é que o que vem dos demais pra mim já está tão morto quanto eu.
Nada para por aqui, sempre há um dia subsequente ao outro, espere e ele virá. Diamantes e ouro para corroer nossas essências, eles sempre estarão por ai, um dia você também vai acabar aceitando essas migalhas, mesmo se fugir por ai; Elas permanecerão por muitos anos.
Esperava dar um beijo no sol, porém ele me renega, irei atrás de você se um dia conseguir faze-lo, sei onde encontra-lo.
Eu observei minha ultima manhã, em troca ofereci minha razão, vou passar algum tempo procurando com a esperança ligada no carregador e quem sabe a manha volte pra me ver.
Os dias tão longos, minha mente perdida, venha senhor das lagrimas, dê-me algo pra sobreviver e algum dia esta vida será minha.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Olha

É engraçado quando você se olha e percebe que está desaparecendo. Não parece com a morte e não é como se esconder, mas o que se espera é que a sensação de frio pare.
Até estrelas se partiram buscando devolver o sorriso que foi do seu rosto; Corra para se salvar, porém não acho que terá para onde fugir, não peça ajuda, use bem o seu tempo e vá antes que não lhe reste ninguem.
Vamos capturar as estrelas antes que elas sumam e nos devolver a nossa maldita sorte. Agora qualquer atividade inutil cabe, a verdade está pronta para se mostrar, qualquer um pode usar a dor enquanto há mentiras servindo como remedio.
Esperando pelo que se foi pra sempre, tentando refazer os passos por um caminho mais seguro, procurando caminhos perdidos; Estabelecendo limites...
...estabelecendo limites em um tempo já desperdiçado.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Leite Morno

Hoje acordei e não o encontrei na mesa para o café, sei o quanto gosta de sentir-se preso à sua cadeira, este lugar é a sua derrota; um entre alguns zeros, chutado e entediado.
Suas orelhas estão cheias, porém você vazio, de coração trancado com tudo do lado de fora, vivendo com aqueles que nem ligam pra quem você é de fato.
Um copo de leite seria melhor, olho a T.V, vejo muito, mas sou um cego, um cérebro morto virtualmente.
Sociabilidade é difícil o bastante para mim. Me dê uma saída deste imenso mundo mal e eu deixarei que me leve...assim eu posso voltar ao principio. que lugar é este onde foi? é muito longe, onde as pessoas machucam por que não sabem quem você é.
Os anos estão passando cheios de outras palavras, de certo ainda deve haver algum bom senso em você.
Mas só até tais palavras começarem a ofender e você não encontrar mais a porta pra sair.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Apotegma







Ando escutando muito, o silêncio se faz excelso em noites claras sem sono.
Acordado num pesadelo que me faz regressar ao futuro que sempre sonhei.
Ainda espero sentado, enquanto caminho por terrenos intrasponiveis, que me fazem atravessar paredes densas... que se racham facilmente com um olhar observador.

De repente a luz ascendeu, suplantando minha visão... flutuando senti meus pés no chão a queimar como ao tocar o gelo, me paralisando aos poucos.

Senti seu sabor doce suavizando o acetoso estupor.
"Só percebesse o doce sabor do mel quem já provou o fel."

Com o medo a tenacidade se foi.
Com a anestesia a dor voltou...
Guardaram o básico o insignificante esta garantido.

Os grandes sabores da vida estão guardados nos pequenos prazeres.
Os pequenos prazeres não se encontram em nenhum adágio.
A maior doutrina cabe na máxima de um aforismo.

Depois da melhor experiência todo o subsequente será nulo.




                                                                                            Bruno Levhiatan, 18/01/13

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ilegível Cavidade





Esperar, respirar... descansar.
Observar, respirar... esquecer.
Reencontrar, respirar... desviar.

Descansar, esquecer; Desviar.
Esperar, observar; Reecontrar-se.
Respirar, respirar e respirar.

Inspirando a sujeira, expirando uma sublevação.
Alimentando mais uma comiseração, expelindo mais lhaneza.
Percorrendo alguns caminhos ilegíveis, apenas para preencher algumas cavidades.

Quem procura abrigo, acaba sem lar.
Quem se foi não irá mais voltar.
Toda essa exiguidade, continuará sendo minha antipatia.
Caminhos foram separados por um exíguo abismo...
A metade nunca será o inteiro.





                                                                                        Bruno Levhiatan, 16/02/13