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Bruno Levhiatan Muscal Almada

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pé na Estrada

Esta foi a ultima dança.
Enfim as luzes se apagarão.
As poucas luzes que iluminam tudo o que posso ver, o único lugar pra se ficar.
Eu vejo uma linha reta e sigo em frente.
À muito tempo deixei de gostar do que vejo, meus olhos queimavam e ninguém percebia, mas agora não há do que se envergonhar.
Permaneci segurando esta dor por tanto tempo, agora percebo que sempre pertenci a outro lugar.
Vou me esconder no tempo e me enterrar nas areias entregue ao vento agora, sem rosto, sem memorias...
...Pegar a estrada.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Príamos

Consciência, quanto mais ainda pode suportar? uma pequena fagulha, uma imensa cortina antes da grande queda. Agora está aqui plena em toda fúria, e não há nada que se possa fazer pra tranquiliza-la de novo.
Observe os pássaros que voam sobre este céu, o sol que queima a pele e ferve a carne e sangue; A grandeza de um mundo leproso, um lugar onde você pode esquecer a realidade...
... Lagrimas de condenado simplesmente não traduzem tudo o que só é possível na morte. Mostre piedade e ceda-me o véu que afastará a prisão, logo agora com tanta vida, a mesma vida tão breve que aqui ainda reside e a qual eu peço pra que me traga serenidade.
Um corpo sem forças, falido, a imagem do próprio homem e das suas muitas falhas; Dos muitos erros a ele acorrentados, a face do que somos e de quem fomos.
Apenas pranto, sensações nostálgicas a medida que cheia a lua se eleva.
O ódio despertou com sua ira intensa, uma imensa tocha...
...E todo desejado é saber, saber se há algo que possa acalma-la outra vez.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Demônio Foguete


Tempo...como voou depressa, moedas de prata corromperam-me, sonhos à jato e surf à cabo.
Maldita falta de pureza; Exploda-me consigo demônio foguete, sem pressa, sem preces, dó e nem piedade.
O nosso erro consistiu em especular demais, agora deixe que vá, sinta a decepção fluir.
Tudo porque nascemos com os olhos fechados, a boca aberta e passamos a vida tentando corrigir este erro natural. Não chore por mim e nem me espere; Eu nunca mais estarei ao seu redor...
...Nada pode me prender aqui.
Comecem a contagem agora, vamos demônio foguete! Venha e me trucide agora.
Vocês jamais me verão outra vez.

Postumu Sensu

Não me recordo da ultima vez em que me senti vivo.
Quando foi que tudo isso tornou-se um divertimento?
Nunca nos damos conta do quanto custa e quanto mais você compreende mais difícil fica de quitar esta divida vital.
Não dá pra viver de sonhos alheios, a sensação de não ter feito nada é insuportável, acaba com aquilo que toca...negacea todos os planos.
O melhor ainda seria ir, mas...pra onde vou? Não importa! Sumam com as lembranças.
Fica apenas um coração ferido, resultado dos restos, deixaria algo se pudesse; Mas para onde vou, pessoa alguma gostaria de guardar alguma coisa.
Gostaria de lhe ver falar e seguir inteiro tendo tantas dores e cicatrizes pra carregar consigo. Não se pode doar aquilo que não possui.
Eu gosto de ficar e me sentir o centro da piada, mas tenho uma vida pra morrer, por isso vou embora sem deixar nada. Porém levarei tudo!
E quando nada mais sobre mim for dito não haverá sobrado nada, E em meu derradeiro lamento estarei liberto.