Páginas

Bruno Levhiatan Muscal Almada

sexta-feira, 22 de março de 2013

Morfina



A luz do sol ainda está lá...
A brisa fresca ao amanhecer ainda está lá...
O primeiro fôlego ainda se faz presente...
Aquele sorriso ainda está lá...
Aquele olhar que diz muito, ainda está lá...
A satisfação ainda está lá...
Sua presença em pensamento ainda está lá...
Meu pensamento ainda está lá...
Com esse céu limpo, ainda choverá...
A força de um abraço está lá...

Na morfina está minha endorfina...
O trago matinal permanece.
Mesmo com essa paz, ainda há a guerra...

Sinto a dor, sinto o prazer, sinto a satisfação...
Sinto o aroma, sinto os sintomas, sinto a ausência...

Ainda me pego pensando naquele tempo em que eras ativa, hoje vejo seu pior pesadelo prosseguir.
Ainda sinto o mesmo, o orgulho não se foi.

Não espere pelo paraíso;
Não espere por um milagre;
Não espere!

Se não tem sentido, se não tem motivo, não espero por nada...
Se não tem objetivo, se o final é sabido, basta viver.
A ausência das circunstâncias que nos trouxe aqui, a ausência de toda uma presença satisfatoria.

Se tudo foi por acaso, já não vem ao caso...
Se nada vale a pena, já cumpro essa pena.


                                                       (Bruno Levhiatan, 22/03/13)

terça-feira, 19 de março de 2013

Lídimo




Choro sem lágrimas
Um lado sem o outro
Vôo sem asas
Vida sem o dia e todo dia é escuro como a noite 

Sentir sem tocar
Tocar e não sentir
Tocar e sentir que nada e ninguém é lídimo...

Eu quero ver com outros olhos
Eu quero sentir esse medo
Eu queria que as verdades fossem mentiras
Eu sou um homem pela morte

Vida sem morte
Mundo sem um fim
Dormir sem sonhar
E todos chorarem ao perceber que;

Tudo em um nada
Mudar sem sair lugar
Ir tão longe, mesmo parado
Fugir sem ter para onde ir, apesar dos olhos assinalarem a direção...

Está intrínseco em mim, está dentro de muitos
Está saindo de mim, estão todos sucumbindo

Eu meramente queria ver de outra forma
Eu apenas queria ser um outro alguém
Eu queria que essas verdades fossem mentiras
Sou apenas um homem esperando pela morte

Veja dessa forma
Seja dessa forma
Essa mentira é uma verdade
É só a espera pela morte...


                                                           (Bruno Levhiatan, 19/03/13)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Úbere Vereda

    


       Na minha persuasão existem algumas hesitações, cercando poucas questões que se multiplicam em tons de cinza, voltaria a sua cor natural, caso a natureza fosse evidente... Se perdendo aos poucos em meio a lama que escoa por limpos córregos, se encontrando em rios de água doce - amargando minha percepção.
     Inquirir mais um pouco e acabei me perdendo mais ainda, recuei perante segredos que pareciam ser eternos, recuei mais um pouco e deixei a curiosidade caminhar pelo estreito labirinto que sempre rodeou e norteou sublimes lampejos de prudência.
     De volta, dei meia volta diante a loucura que permeou por um longo período - agora já "sóbrio" procuro o final do labirinto que parece não ter seu final tão axiomático... Já não sei onde estou nem de onde vim e muito menos para aonde deveria prosseguir, me perdi logo em um exórdio e deixei a intuição me guiar... -  Intuição? Talvez; 
     A capacidade de julgamento também se perdeu, se recolheu, logo será úbere. Caminhando mais um pouco, percebo o esplendor - talvez seja o fim desses corredores?  Sim, talvez encontre outros, logo mais adiante - O que é a vida senão a longa caminhada por labirintos de finitude tão distante; A entrada em caminhos tortos, que nos guiarão para uma eterna linha reta. 
     Transpor e escapar, sempre serão idiossincrasias comuns.  Conviver com a tênue linha da insanidade e lucidez, me deixará longe de sentimentos frívolos - Uma carência, uma afetividade, a demência dominante. A brilhante arquitetura de Dédalo.
    


                                               (Bruno Levhiatan, 15/03/13)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Tirocínio




Agora é o tempo!
Ainda há tempo!
Sem perca de tempo...
O tempo "voa"!

Agora é a hora.
Que horas são?
Só mais uma hora...
Aquela era a hora.

Em todo tempo do mundo, só nos resta o agora.
Depois de horas, sobrou pouco tempo.
Diante desse tempo, só nos resta contar as horas...
Agora está começando a hora de acabar com esse tempo.

Vejo o tempo correr perante meus olhos
Vejo as horas se alimentarem desse tempo
Percebo todo essa perca de tempo.

Quando perdemos tempo, excedemos algumas horas
Quando esperamos a hora certa, ela nunca aparece... atalaiar a hora marcada seria útil.

Afinal, esperar a hora certa é uma grande perca de tempo.







                                                                                        (Bruno Levhiatan, 14/03/13)

terça-feira, 12 de março de 2013

Bela Manhã

O verão está partindo e não me parece tudo bem. Pássaros de metal anunciam outra guerra.
Um estrago tão grande pra ser apenas isso.
Não há mais o brilho amistoso, apenas um egoismo absurdo; E tudo o que realmente sinto...
... é que o que vem dos demais pra mim já está tão morto quanto eu.
Nada para por aqui, sempre há um dia subsequente ao outro, espere e ele virá. Diamantes e ouro para corroer nossas essências, eles sempre estarão por ai, um dia você também vai acabar aceitando essas migalhas, mesmo se fugir por ai; Elas permanecerão por muitos anos.
Esperava dar um beijo no sol, porém ele me renega, irei atrás de você se um dia conseguir faze-lo, sei onde encontra-lo.
Eu observei minha ultima manhã, em troca ofereci minha razão, vou passar algum tempo procurando com a esperança ligada no carregador e quem sabe a manha volte pra me ver.
Os dias tão longos, minha mente perdida, venha senhor das lagrimas, dê-me algo pra sobreviver e algum dia esta vida será minha.